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Archive for Abril, 2012

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(Encontrado aqui)

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O que está por detrás do conceito de decrescimento?

O decrescimento é um slogan que fomos forçados a utilizar para romper com o “ramerrão” do discurso desenvolvimentista, que fala em crescimento, crescimento e que nos conduzirá a uma catástrofe. Claro que é uma palavra provocadora, polémica… e até blasfema, porque temos uma relação quase religiosa com o crescimento. Podemos mesmo falar de uma religião, um culto, do crescimento. Falar de decrescimento cria um efeito de estupefacção. Decrescer por decrescer seria absurdo. Mas crescer por crescer é absurdo e ninguém se dá conta disso, porque estamos envolvidos nessa religião.

 

Defende um abrandamento do crescimento?

O problema não é o crescimento. É a sociedade que não tem outro objectivo que não seja o crescimento pelo crescimento. Não se trata de crescer para se satisfazerem as necessidades, que é uma coisa excelente. O que temos é uma sociedade em que quando as necessidades estão satisfeitas é preciso criar outras para se continuar a crescer. Temos o nosso destino ligado a esta lógica e é daí que temos que sair.

 Como é que se faz a transição?

É preciso fazer uma revolução. Antes de mais, fazer uma revolução mental e cultural – descolonizar o nosso imaginário -, que nos pode levar a uma mudança de comportamentos e a uma mudança das formas de produzir. É uma mudança radical.

E onde encontra aliados para essa mudança?

Por todo o lado. Há em todos os homens a consciência de que estamos a dirigir-nos para uma catástrofe e que é preciso mudar. Mesmo os dirigentes empresariais e o poder financeiro sabem isso, mas têm interesses de tal forma potentes dentro da lógica do sistema que não têm a coragem de romper com ele. Pelo contrário, há milhares de pessoas que são vítimas do sistema e que teriam todo o interesse em mudá-lo.

Essas vítimas também parecem não querer sair do sistema.

Estes têm o seu imaginário colonizado pela publicidade, pelos media, pelos lóbis que financiam a publicidade e os media. No Antigo Regime, em França, havia uma elite esclarecida que provocou a revolução para instalar a República.

É uma revolução dessa ordem de grandeza a que defende?

Devemos imperativamente fazer essa revolução, se quisermos ter um futuro. Se não mudarmos o sistema, caminharemos para o desaparecimento da humanidade.

 A crise económica e financeira que afecta o mundo ocidental é uma consequência do modelo do crescimento pelo crescimento?

É uma consequência da lógica desta sociedade de crescimento que, depois dos anos oitenta, não teve outro objectivo senão prolongar a ilusão do crescimento e entrou numa bolha financeira. Esta começou por ser uma crise financeira, mas é também uma crise económica e, acima de tudo, uma crise de civilização.

A saída da crise pode ser uma oportunidade para pôr em marcha o decrescimento?

 É uma oportunidade. Saber se conseguiremos aproveitá-la é outra questão.

Quando ouvimos os líderes políticos na Europa, a lógica parece manter-se.

Exactamente. É por isso que o decrescimento deve ser feito contra os políticos, porque eles não querem compreender. Quando um modelo falha, é preciso sobretudo nada mudar.

 Como é que se explica às pessoas que o decrescimento é melhor do que o crescimento?

 É fácil. Neste momento, há muita gente no desemprego, os jovens não têm futuro. Esta sociedade traiu as suas promessas: a abundância prometida não é a abundância. Mesmo que consumamos e destruamos enormemente os recursos do planeta, nunca estamos satisfeitos. A lógica do crescimento é criar a ideia de nunca estarmos totalmente na abundância, porque se estivéssemos parávamos de consumir.

Mas se pararmos de consumir de forma repentina, haverá impactos significativos no emprego, por exemplo. É o que está a acontecer nos países que têm programas de austeridade como Portugal.

 O consumo, de todas as formas, parou para muitas pessoas, por causa da austeridade. Mas é terrível, porque estamos sempre na lógica de uma sociedade do crescimento, mas sem crescimento. Não é a mesma coisa que uma sociedade de decrescimento que não está organizada para o crescimento. Está organizada para conviver bem, sem consumir demasiado, com base num consumo dentro das nossas necessidades e em que não é preciso trocar de máquina de lavar todos os dois anos, porque está sempre a avariar: temos uma que vai durar toda a vida. Não destruiremos a natureza, produziremos menos e teremos a mesma satisfação. Além disso, não teremos necessidade de trabalhar tanto para atingir o nível de satisfação que a publicidade vende. Porque para produzir os computadores que atiramos para o lixo ao fim de dois anos é preciso trabalhar, trabalhar, cada vez mais.

 O decrescimento não está então no pólo oposto do bem-estar?

 Pelo contrário. Trata-se de encontrar a felicidade perdida. Os inquéritos mostram que os portugueses, tal como os franceses, não se sentem felizes. Os economistas dizem: “Eles deviam ser felizes porque atingiram um nível de consumo elevado”. Há aqui qualquer coisa que não está bem. A economia engana-nos. Promete-nos a felicidade, mas as pessoas não são felizes. É preciso, antes de mais, trabalhar menos. É estúpido trabalhar cada vez mais, para produzir cada vez mais, para desperdiçar cada vez mais. É preciso acabar com este massacre: produzir menos, porque não é necessário produzir cada vez mais, trabalhar menos e se trabalharmos menos as pessoas podem trabalhar todas e ter tempo livre.

O decrescimento também tem aplicação nos países subdesenvolvidos?

 O decrescimento é um slogan provocatório para as sociedades de crescimento ocidentais. Para as sociedades ditas subdesenvolvidas há diferenças. África precisa de aumentar a sua produção, não para produzir infinitamente, mas para satisfazer as suas necessidades. A ideia de uma sociedade de abundância frugal é válida para África, Ásia, América Latina e Europa, mas a forma de a alcançar não é a mesma porque o ponto de partida é diferente.

 Retomo a questão: como se sai do nosso modelo de sociedade?

Estamos a sair da sociedade de consumo à força. A questão é: estamos a sair para irmos para onde? Vai-nos levar, numa primeira etapa, a um gigantesco caos. E desse caos pode sair o melhor – o projecto de uma sociedade de decrescimento, uma sociedade de abundância frugal – ou o pior – uma sociedade ecofascista, ecototalitária, que está, de certa forma, em marcha um pouco por todo o mundo.

Sente-se um profeta?

De modo nenhum. Sou um homem normal. Fico sobretudo surpreendido que nem todos pensem como eu, porque me parece que tenho bom senso.

 

(Encontrado aqui)

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(Versão integral)

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SÓ TU, VÍRUS

 

Em todas as palavras que proferes, Vírus,

transparece o teu desprezo pelo partido do povo.

És versado nas arengas de Coriolano contra

a novidade, explanas a metáfora dos corvos

e das águias, a tua oratória tumultua as redacções,

estremece os candelabros no Senado. Conquistaste,

finalmente, confiança dos aristocratas. Parabéns.

 

Há quem se lembre, porém, da tua juventude,

quando tinhas Robespierre no coração e trazias

na boca O Amigo do Povo. Os patrícios, dizias,

hão-de ser esmagados pelo carro da História.

Era assim que falavas, Vírus, nesse tempo.

Sonhavas com incêndios, e parecia-te sublime

a jaqueta de Saint-Just. Mas Clio, a tua amante,

não tinha a influência que julgavas.

 

Quando ouviste dizer que o trigo ia ser distribuído

novamente na cidade, percebeste que a plebe,

mais ou menos saciada, te daria com a pata.

Por aqui, pensaste, nunca mais lá chegarei,

pois o sonho de poder que te resume sempre

foi de sinecura nas poltronas partidárias.

 

Só então te dedicaste a odiar o conformismo

desse burro, a multidão, que não quis levar a água

ao teu moinho, que trocou o teu cenário de rubis

à refeição pelo divino ou pelo pão quotidiano.

 

Nauseado por tamanha ingratidão, mergulhaste

na leitura dos mais duros estrategas, maceraste

corpo e alma no deserto dos contactos, emergindo

mais à frente pessimista e paladino dos negócios.

 

Grande volta, Vírus, a tua: de zé-ninguém

a pó-ninguém pelo caminho espaventoso

da mentira. Mais te valia, porém, teres cortado

a direito, ó Máximo Ideólogo: serias igualmente

repulsivo, mas podias ter chegado já a Cônsul ou,

vá lá, a Senador.

 

(Versão remodelada de um poema homónimo publicado em 2003 no defunto “Blog de Esquerda”)

 

 

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Sobretudo quando vemos economistas de esquerda a proferirem, com uma candura digna de Mr. Magoo, que “sem crescimento económico não há sociedades viáveis”.  Porque se a esquerda prefere brincar aos Magoos e a direita vive da venda de óculos cor-de-rosa, isso só pode significar que a todo o momento nos pode faltar o chão. E sem chão, meus amigos, não se vai a lado nenhum. Como é que estamos de pára-quedas?

Nature Bats Last, o blogue de  Guy McPherson

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DA MITOLOGIA

Primeiro era um deus da noite e da tempestade, ídolo negro e

sem olhos, diante do qual saltavam nus e lambuzados de sangue.

Mais tarde, nos tempos da república, eram imensos os deuses,

com mulheres, filhos, camas desconjuntadas e raios que explodiam

inofensivos. Por fim só os neuróticos supersticiosos carregavam

nos bolsos pequenas estátuas de sal, representando o deus da ironia.

À época nao havia maior deus.

Vieram então os bárbaros. Também eles tinham em alta estima

o pequeno deus da ironia. Esmagavam-no sob os calcanhares,

adicionando-o depois aos seus manjares.

 

ZBIGNIEW HERBERT, Tradução de Rui Knopfli

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Ladrador

Ladrador é uma antologia de inéditos de poetas portugueses, de Ana Paula Inácio a Vítor Nogueira. Acaba de sair, é uma publicação da Averno, e o excerto abaixo é de Jorge Roque.

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THE INGENUITY GAP

Thomas Homer-Dixon

First, some background: Twenty-six years ago, in one of the most famous wagers in the history of science, Paul Ehrlich, John Harte and John P. Holdren bet Julian Simon that the prices of five key metals would rise in the next decade. Mr. Ehrlich and his colleagues, all environmental scientists, believed that humankind’s growing population and appetite for natural resources would eventually drive the metals’ costs up. Simon, a professor of business administration, thought that human innovation would drive costs down.

Ten years later, Mr. Ehrlich and his colleagues sent Simon a check for $576.07 — an amount representing the decline in the metals’ prices after accounting for inflation. To many, the bet’s outcome refuted Malthusian arguments that human population growth and resource consumption — and economic growth more generally — would run headlong into the limits of a finite planet. Human inventiveness, stimulated by modern markets, would always trump scarcity.

Indeed, the 1990s seemed to confirm this wisdom. Energy and commodity prices collapsed; ideas (not physical capital or material resources) were the new source of wealth, and local air and water got cleaner — at least in rich countries.

But today, it seems, Mr. Ehrlich and his colleagues may have the last (grim) laugh. The debate about limits to growth is coming back with a vengeance. The world’s supply of cheap energy is tightening, and humankind’s enormous output of greenhouse gases is disrupting the earth’s climate. Together, these two constraints could eventually hobble global economic growth and cap the size of the global economy.

The most important resource to consider in this situation is energy, because it is our economy’s “master resource” — the one ingredient essential for every economic activity. Sure, the price of a barrel of oil has dropped sharply from its peak of $78 last summer, but that’s probably just a fluctuation in a longer upward trend in the cost of oil — and of energy more generally. In any case, the day-to-day price of oil isn’t a particularly good indicator of changes in energy’s underlying cost, because it’s influenced by everything from Middle East politics to fears of hurricanes.

A better measure of the cost of oil, or any energy source, is the amount of energy required to produce it. Just as we evaluate a financial investment by comparing the size of the return with the size of the original expenditure, we can evaluate any project that generates energy by dividing the amount of energy the project produces by the amount it consumes.

Economists and physicists call this quantity the “energy return on investment” or E.R.O.I. For a modern coal mine, for instance, we divide the useful energy in the coal that the mine produces by the total of all the energy needed to dig the coal from the ground and prepare it for burning — including the energy in the diesel fuel that powers the jackhammers, shovels and off-road dump trucks, the energy in the electricity that runs the machines that crush and sort the coal, as well as all the energy needed to build and maintain these machines.

As the average E.R.O.I. of an economy’s energy sources drops toward 1 to 1, an ever-larger fraction of the economy’s wealth must go to finding and producing energy. This means less wealth is left over for everything else that needs to be done, from building houses to moving around information to educating children. The energy return on investment for conventional oil, which provides about 40 percent of the world’s commercial energy and more than 95 percent of America’s transportation energy, has been falling for decades. The trend is most advanced in United States production, where petroleum resources have been exploited the longest and drillers have been forced to look for ever-smaller and ever-deeper pools of oil.

Cutler Cleveland, an energy scientist at Boston University who helped developed the concept of E.R.O.I. two decades ago, calculates that from the early 1970s to today the return on investment of oil and natural gas extraction in the United States fell from about 25 to 1 to about 15 to 1.

This basic trend can be seen around the globe with many energy sources. We’ve most likely already found and tapped the biggest, most accessible and highest-E.R.O.I. oil and gas fields, just as we’ve already exploited the best rivers for hydropower. Now, as we’re extracting new oil and gas in more extreme environments — in deep water far offshore, for example — and as we’re turning to energy alternatives like nuclear power and converting tar sands to gasoline, we’re spending steadily more energy to get energy.

For example, the tar sands of Alberta, likely to be a prime energy source for the United States in the future, have an E.R.O.I. of around 4 to 1, because a huge amount of energy (mainly from natural gas) is needed to convert the sands’ raw bitumen into useable oil.

Having to search farther and longer for our resources isn’t the only new hurdle we face. Climate change could also constrain growth. A steady stream of evidence now indicates that the planet is warming quickly and that the economic impact on agriculture, our built environment, ecosystems and human health could, in time, be very large. For instance, a report prepared for the British government by Sir Nicholas Stern, a former chief economist of the World Bank, calculated that without restraints on greenhouse gas emissions, by 2100 the annual worldwide costs of damage from climate change could reach 20 percent of global economic output.

Humankind’s energy and climate problems are intimately connected. Petroleum’s falling energy return on investment will encourage many economies to burn more coal (which in many parts of the world still has a relatively good E.R.O.I.), but coal emits far more greenhouse-inducing carbon dioxide for every unit of useful energy obtained than other energy sources. Also, many potential solutions to climate change — like moving water to newly arid regions or building dikes and relocating communities along vulnerable coastlines — will require huge amounts of energy.

Without a doubt, mankind can find ways to push back these constraints on global growth with market-driven innovation on energy supply, efficient use of energy and pollution cleanup. But we probably can’t push them back indefinitely, because our species’ capacity to innovate, and to deliver the fruits of that innovation when and where they’re needed, isn’t infinite.

Sometimes even the best scientific minds can’t crack a technical problem quickly (take, for instance, the painfully slow evolution of battery technology in recent decades), sometimes market prices give entrepreneurs poor price signals (gasoline today is still far too cheap to encourage quick innovation in fuel-efficient vehicles) and, most important, sometimes there just isn’t the political will to back the institutional and technological changes needed.

We can see glaring examples of such failures of innovation even in the United States — home to the world’s most dynamic economy. Despite decades of increasingly dire warnings about the risks of dependence on foreign energy, the country now imports two-thirds of its oil; and during the last 20 years, despite increasingly clear scientific evidence regarding the dangers of climate change, the country’s output of carbon dioxide has increased by a fifth.

As the price of energy rises and as the planet gets hotter, we need significantly higher investment in innovation throughout society, from governments and corporations to universities. Perhaps the most urgent step, if humankind is going to return to coal as its major energy source, is to figure out ways of safely disposing of coal’s harmful carbon dioxide — probably underground.

But in the larger sense, we really need to start thinking hard about how our societies — especially those that are already very rich — can maintain their social and political stability, and satisfy the aspirations of their citizens, when we can no longer count on endless economic growth.

Daqui

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