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Archive for Janeiro, 2010

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Yes, Sir!!

Não quer não quer, pronto. Não se fala mais nisso. Era o que faltava, a nação pôr-se agora a contrariar a vontade do sr. Policarpo. Sr. legislador, é favor suspender tudo, que o sr. Policarpo diz que afinal não pode ser. E vocês, gays, pá tenham paciência, ouviram o que disse o sr. Policarpo, não ouviram? Então, andor, vão mas é fazer meninos, se querem ser gente. E depressinha, antes que ele vos policape.

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Agora a sério

Nem cínicos nem tontos
o bastante para as guerras
mundiais da mercadânsia,
são simpáticos, os “tugas”,
como todos os inábeis.

Se dão pouco, menos pedem,
desafogam-se em abraços
de convívio quintaleiro,
com o mundo num chinelo
e o chinelo ao pé da porta.

Sem mudanças nem conflitos,
são amáveis com os factos,
obedecem aos pequenos
razoados da renúncia,
não se levam muito a sério.

No lagar da contingência,
reconhecem quase a gosto
a astenia da azeitona,
fazem migas do orgulho,
fazem figas, queimam velas

de tamanho não-te-rales
e que se lixe o candeeiro
do futuro. Malnascidos,
comoventes como ratos
na gaveta da cozinha,

com as patas num trapézio
de suspiros cauteloso,
atilados como filhos
primogénitos da fome,
são apáticos, mas giros:

piedosos quanto baste,
confiantes quando podem,
inocentes como poldros,
pés de salsa ao regadio
da vidina providência.

Faço meus os seus defeitos
(a preguiça, a timidez,
a vocação do remedeio)
e agradeço ter nascido
bem pequeno, com espaço

(quer dizer) para crescer
um pouco mais. Pois
não há pior destino
que nascer acabadinho,
já montado na carroça

triunfante da fiúza,
vendo o mundo p’lo binóculo
invertido do umbigo,
com a alma metralhada
de paixão e cupidez.

(Inédito de Erros Individuais, a editar em breve.)

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de um líder como Pedro Passos Coelho, alguém capaz de substituir “uma geração de políticos profissionais cujos currículos se construíram no interior dos aparelhos partidários“, como ele próprio se define no Expresso.  Porque P. Coelho, ao contrário de outros que por aí andam, nunca se serviu do partido para subir na vida. Se entrou ainda gaiato para a JSD, foi por imperativos éticos, tal como só o mais puro desejo de se sacrificar pela pátria o levou, sucessivamente, à direcção da JSD, à Comissão Política do mesmo partido, à Assembleia da República, à liderança da bancada parlamentar laranja e à vice-presidência do PSD, altura em que, decerto agoniado com o pantanal da política, decidiu abandonar a ribalta, concluir um curso de Economia e  “entrar no mercado de trabalho”, mercado esse no qual os seus prodigiosos méritos depressa lhe valeram a elevação ao cargo, inicialmente, de director financeiro e posteriormente de administrador executivo da empresa Fomentinvest, que por incrível coincidência é liderada pelo barão do PSD Ângelo Correia. Que um homem tão isento e independente, com uma carreira construída totalmente à margem dos favorecimentos partidários, esteja disposto, uma vez mais, a sacrificar a sua vida pessoal e profissional (esta, nunca é de mais repetir, construída inteiramente fora dos circuitos de promoção partidária) para servir ao leme da nação, é algo que só pode merecer o nosso mais sentido reconhecimento.  Está de facto na altura de romper com uma geração de políticos-profissionais-cujos-currículos-etc., e feliz é a nação que pode contar com a idoneidade de alguém como Passos Coelho, um paladino capaz de moralizar de vez a vida pública. Aceite desde já o nosso obrigado, dr. Passos Coelho, e que Deus o favoreça!

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Que sentido faz isto, se durante o exercício de Santana o palmarés do Sporting se saldou pela conquista de zero campeonatos, zero taças de Portugal e zero supertaças!?

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Diz-se que uma delegação de cordeiros, certo dia, já farta de desfeitas, humilhações e agravos da parte dos lobos, juntou tostões e pediu a Nicolau Maquiavel um parecer técnico.

– Senhor, perguntaram, dizeis que a liberdade dos cordeiros não existe, posto que existem os lobos. Mas temos andado a pensar no seguinte: se conseguíssemos expulsar os lobos da cidade, não poderia entre os cordeiros florescer a liberdade?

– Inocentes criaturas, respondeu Maquiavel, como poderíeis algum dia garantir a expulsão dos lobos todos? Impossível. Desde logo, porque ninguém sabe dizer onde começa o lobo e acaba o cordeiro; além disso, por muitas expulsões que decretásseis (com que força, é outra história), a presença de um único lobo bastaria para vos roubar a liberdade.

– Mas reparai, senhor, que a liberdade do mais forte se resume ao império de poucos sobre muitos. E se a liberdade é melhor do que a servidão, como dizem os filósofos, o ideal seria torná-la tão extensa quanto possível.

– Ideal seria, como dizeis. Mas ideal, por definição, é aquilo que não existe, nunca existiu nem, provavelmente, existirá. Se expulsáreis os mais fortes, os menos fracos de entre os mais fracos seriam ainda os mais fortes, e lupinamente se ergueriam para vos devolver ao rebanho da dependência.

– Que vos garante, senhor, tal certeza?

– Os exemplos da história, e a natureza dos lobos e dos cordeiros.

– Nós, porém, queremos acreditar que a história não é algo de dado, mas de construído, senhor. E se vós próprios dizeis que é impossível predizer onde em nós começa o lobo e acaba o cordeiro, isso significa que a nossa natureza não está determinada, e se não está determinada é porque pode mudar.

– Nada disso. A história está determinada pelo egoísmo e pela desigualdade naturais. Não há lobos fortes sem cordeiros fracos, concedo, mas um cordeiro forte é já um lobo, tal como um lobo fraco não passa de um cordeiro.

– Quer dizer que só pela força poderemos, senhor, conquistar o direito de ser fracos? Que se não queremos ser lobos, só nos resta vestir-lhes a pele?

– Não. É pior do que isso, cordeirinhos. Significa que só como lobos poderíeis ser livres, e que a expressão “conquistar o direito de ser fraco” é uma contradição, designa uma impossibilidade.

– Não existe, portanto, liberdade na fraqueza?

– Não, não existe. Enquanto ovinos, estais condenados à servidão.

– Que nos aconselhais então, nestas circunstâncias?

– Quatrocentas flexões de braços por dia.

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não foi propriamente uma cabazada, mas o que conta são os três pontos e  a vitória (para a democracia). Agora só nos resta esperar que o Presidente de Boliqueime não se ponha a tentar empatar, com manobras de secretaria, este acesso de Portugal ao campeonato da civilização.

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Um testemunho impressionante sobre a favelização galopante das cidades do segundo e terceiro mundo, nos últimos trinta ou quarenta anos, na sequência quer de conflitos militares, quer das políticas de ajustamento estrutural forçadas pelo FMI, responsáveis pela destruição, desde a década de 1970, de milhões de empregos na agricultura e na indústria. O resultado foi, em muitos casos, a quase extinção da classe média, a degradação das condições de saúde e habitação de milhões de novos-pobres, contra o súbito enriquecimento de uns poucos.

Alguns números, estimativas e informações:

Variação da população (em milhões) nalgumas cidades entre 1950 e 2004:

Cidade do México 2,9 – 22 , Nova Deli 1,4 – 18,6, Cairo 2,4 – 15,1, Manila 1,5 – 14,3, Lagos 0,3 – 13,4, Lima 0,6 – 8,2

São Paulo 2,4 – 19,9, Daca 0,4-15,9.

Percentagem da população de São Paulo a viver em favelas – 1973: 1,2% , 1993: 19,8%

Maiores percentagens de população urbana a viver em favelas: Etiópia 99,4%, Chade 99,4%, Afeganistão 98,5%,. Dados de outros países: Índia 55,5% , Brasil 36,6%, Coreia do Sul 37%, Bangladesh 84,7%, EUA 5,8%.

“Los Angeles is the First World Capital of homelessness, with an estimated 100 000 homeless people., including an increasing number of families, camped on downtown streets or living furtively in parks and among freeway landscaping.”

“Spacial inequality. In Dhaka 70 percent of the population is estimated to be concentrated into only 20 percent of the surface area. Likewise in Santo Domingo, two thirds of the population, living in tenements and squatter settlements, uses only one fifth of urban space. In Bombay, while rhe rich have 90 percent of the land and live in comfort with many open areas, the poor livre crushed together on 10 percent of the land.”

Depreciação da vida humana. “In Delhi, the Hindustan Times recently complained that middle-class commuters seldom bother to stop after running over homeless ragpickers or poor children.” “According to a recent study, foul air is most deadly in the sprawling megacities o Mexico (300 bad ozone days per year), São Paulo, Delhi and Beijing. Breathing Mumbai’s air, meanwhile, is the equivalent of smoking two-and-one-half packs of cigarrets per day.”

Medievalização das condições Sanitárias. “In contemporary India – where an estimated 700 million people are forced to deject in the open – only 17 of 3700 cities and large towns have any kind of primary sewage treatment before final disposal.” “A 1990 survey of Delhi showed that the 480 000 families in 1100 slum settlements had acess only to 160 toilet  seats and 110 mobile toilet vans.”

“Every day, around the world, ilness related to water supply, waste disposal, and garbage kill 30 000 people and constitute 75 percent of the illness that afflict humanity.”

In Mexico, following the adoption of the second Structural Adjustment Plan [forçado pelo FMI] in 1986, the percentage of births attended by medical personel fell from 94 percent in 1983 to 45 percent in 1988, while maternal mortality soared from 82 per 100 000 in 1980 to 150 in 1988.”

Políticas de ajustamento Estrutural do FMI e seus efeitos. The main single cause of increases in poverty and inequality during the 1980’s and 1990’s was the retreat of the state [em conformidade com as políticas de ajustamento estrutural forçadas pelo FMI].

In Nigeria, extreme poverty metastasized from 28 percent in 1980 to 66 percent in 1996.

But the same adjustments that crushed the poor and the public-sector middle class offered lucrative opportunities to privatizers, foreign importers, narcotraficantes, military brass and political insiders.

As male formal employment opportunities disappeared, mothers, sisters and wives were tipically forced to bear far more than half the weight of urban structural adjustment. […] The household response was to send more femals into domestic service and also take their kids out of school to go to work.

In Mexico the percentage of population living in extreme poverty increased from 16 percent in 1992 to 28 percent in 1999, despite the much-hyped “success stories” of the border maquiladoras and NAFTA.

The biggest event of the 90’s was the conversion of much of the former “Second World” – European and Asian socialism – into a new Third World. in the early 1990’s  the those considered to be living in extreme poverty in the former “transitional countries”, as the UN calls them, rocketed from 14 million to 168 million: an almost instantaneous mass pauperization without precedent in history.

The 1980’s crisis – during which informal-sector employment gre to five times faster than formal-sector jobs – has inverted their relative structural positions, establishing informal survivalism as the new primary mode of livelihood in a majority of third world cities.

etc., etc., etc.

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O que acontece quando um vinhateiro americano, com barriga de vinhateiro, barba e alma de vinhateiro, inteligência de vinhateiro, cultura de vinhateiro, o que acontece quando um vinhateiro é posto atrás ou à frente duma câmara de filmar? Um filme sobre vinhos? Errado. Os cineastas vinhateiros não fazem filmes sobre vinhos, porque para isso são necessárias duas coisas que lhes costumam faltar: humildade e imaginação. Não, o que os vinhateiros fazem, quando querem e podem deixar de vinhatar, é filmes sobre a Imortalidade, a Espiritualidade e o Destino (também podem fazer filmes sobre a Ambição e o Poder, mas como nunca perderam mais de três minutos a reflectir sobre o assunto, o que lhes sai é uma espécie de opereta com figuras de papelão). O mesmo é dizer, fazem filmes tão estúpidos como uma pança de vinhateiro, escritos com aquela parte do cérebro que regula o funcionamento do esfíncter, e filmados com uma inteligência formal digna de um (mau) vinhateiro. Ou seja, filmam boçalidades como esta: Youth Without Youth, que entra directamente no Top 20 dos Filmes Mais Estúpidos e Irritantes De Que Há Memória. E, ao pé deste vinhateiro, até o Spielberg (o Spielberg!) parece um génio (e Scorsese, já agora, pouco menos do que Deus). Não é isso que dizem os críticos? Talvez. Mas isso será porque o crítico (médio) não passa de um intelecto de repetição promocional, cujo discernimento estético e intelectual se formou na mesma zona do cérebro de onde jorra a inspiração dos cineastas-vinhateiros.

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