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Archive for Dezembro, 2009

You noble Diggers all, stand up now, stand up now,
You noble Diggers all, stand up now,
The wast land to maintain, seeing Cavaliers by name
Your digging does maintain, and persons all defame
Stand up now, stand up now.

Your houses they pull down, stand up now, stand up now,
Your houses they pull down, stand up now.
Your houses they pull down to fright your men in town
But the gentry must come down, and the poor shall wear the crown.
Stand up now, Diggers all.

With spades and hoes and plowes, stand up now, stand up now
With spades and hoes and plowes stand up now,
Your freedom to uphold, seeing Cavaliers are bold
To kill you if they could, and rights from you to hold.
Stand up now, Diggers all.

Theire self-will is theire law, stand up now, stand up now,
Theire self-will is theire law, stand up now.
Since tyranny came in they count it now no sin
To make a gaol a gin, to starve poor men therein.
Stand up now, Diggers all.

The gentrye are all round, stand up now, stand up now,
The gentrye are all round, stand up now.
The gentrye are all round, on each side they are found,
Theire wisdom’s so profound, to cheat us of our ground
Stand up now, stand up now.

The lawyers they conjoyne, stand up now, stand up now,
The lawyers they conjoyne, stand up now,
To arrest you they advise, such fury they devise,
The devill in them lies, and hath blinded both their eyes.
Stand up now, stand up now.

The clergy they come in, stand up now, stand up now,
The clergy they come in, stand up now.
The clergy they come in, and say it is a sin
That we should now begin, our freedom for to win.
Stand up now, Diggers all.

The tithes they yet will have, stand up now, stand up now,
The tithes they yet will have, stand up now.
The tithes they yet will have, and lawyers their fees crave,
And this they say is brave, to make the poor their slave.
Stand up now, Diggers all.

‘Gainst lawyers and ‘gainst Priests, stand up now, stand up now,
‘Gainst lawyers and ‘gainst Priests stand up now.
For tyrants they are both even flatt againnst their oath,
To grant us they are loath free meat and drink and cloth.
Stand up now, Diggers all.

The club is all their law, stand up now, stand up now,
The club is all their law, stand up now.
The club is all their law to keep men in awe,
But they no vision saw to maintain such a law.
Stand up now, Diggers all.

The Cavaleers are foes, stand up now, stand up now,
The Cavaleers are foes, stand up now;
The Cavaleers are foes, themselves they do disclose
By verses not in prose to please the singing boyes.
Stand up now, Diggers all.

To conquer them by love, come in now, come in now
To conquer them by love, come in now;
To conquer them by love, as itt does you behove,
For hee is King above, noe power is like to love,
Glory heere, Diggers all.

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Qual é a característica comum a todos os animais domésticos? A tendência para formar rebanhos e segregar líderes. O impulso hierárquico, portanto.  Assunto arrumado.  Então e o gato, pergunta o leitor desprevenido; mas logo cai em si e percebe que o gato só é doméstico na medida em que condescende na domesticação de seres humanos, sempre tão prestáveis. E ninguém pode negar que para o gato é sempre útil ter um ser humano em casa. Demasiado territorial, ou individualista, se quisermos, para a armadilha da domesticação, o gato é um dos principais candidatos ao Grande Prémio Darwin de Sobrevivência Para os Últimos Dez Mil Anos. E alguém duvida que o merece?

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Quando alguma forma de gastroenterite abre caminho até ao cérebro e aí desencadeia um ataque de pessimismo político, não há nada mais reconfortante e lenitivo do que verificar como o pluralismo opinativo viceja e abunda nos nossos meios de comunicação. Basta abrir um jornal qualquer para o sentir,  mas é nas televisões que esse amor à liberdade de expressão melhor se consubstancia e mais fundamente nos comove: da direita ao conservadorismo, passando pela extrema-direita, o centro-direita e a esquerda-direita-volver, não há praticamente ideário político que não receba, por cá, o  seu justo e merecido tempo de antena. Essa noção de justiça, a par do sadio gosto pelo confronto de ideias (tão tipicamente português), estão de tal modo arraigados na vida pública nacional, que alguns canais informativos chegam, de longe em longe, ao cúmulo de convocar para os seus púlpitos vozes representativas de opiniões tão residualmente minoritárias, na sociedade portuguesa, como a esquerda e a extrema-esquerda! É natural que alguns cidadãos preocupados perguntem: não estarão os tais canais a incorrer num excessivo purismo, só por amor à liberdade de expressão? Parece óbvio que sim, mas esse purismo é nobre e deve ser respeitado. Pois deste férvido férvido caldo de opiniões é que se alimenta e alevanta a superioridade ético-política dos regimes democráticos.  É entusiasmante, de resto, constatar como nos últimos cem anos a liberdade de informação se foi convertendo, um pouco por toda a parte (do Afeganistão ao Zimbabué, passando por Cuba, a Coreia do Norte ou os Estados Unidos), na pedra basilar de todas formas de democracia, sejam estas comunistas, capitalistas, militaristas, teocráticas ou feudais.

Longe vai, felizmente, o tempo em que os impérios relegavam para virtuais catacumbas a expressão de ideias minoritárias, o tempo da censura e do silenciamento, onde a mais impura propaganda se travestia de informação e monopolizava todo o espaço mediático. Actualmente, em Portugal como no mundo inteiro, não há ideia política ou económica, por mais aberrante que pareça, que não possa ser discutida livremente no espaço mediático; e se essa discussão não chega propriamente a materializar-se, isso deve-se unicamente ao facto de os gestores do dito  espaço saberem (com base em estudos e sondagens realizadas pelos laboratórios de investigação psico-social mais credíveis e independentes) que o consumidor de democracia não está interessado em ideias (e muito menos ideias incomuns), mas apenas em coisas.

Mas o pluralismo de pontos de vista, no espaço mediático português, não teria metade do impacto que tem na consolidação da inteligência e do espírito democrático (já para não falar do seu decisivo contributo para a resolução dos poucos problemas que ainda estão por solucionar em Portugal e arredores),  se não se desse o caso de os seus porta-vozes serem, invariavelmente, escolhidos entre o escol da intelectualidade lusitana. E não é preciso ver muita televisão para constatar que assim é, de facto, pelo menos nos programas de debate ou entrevista que costumam preencher a nossa noite informativa. Ontem, por exemplo, já não recordo em que canal, o pluralismo de opiniões (entre a direita e o conservadorismo) dividia-se pelas mágicas vozes de F. J. Viegas, J. P. Coutinho e um terceiro que o adiantado da hora e a minha sofrível cultura mediática me não permitiu identificar. Não sei se acreditam em experiências de iluminação transcendental, mas eu confesso que ao ouvir, mesmo que só por dez minutos, estes três representantes da mais galharda elite pátria, me senti como que profundamente enriquecido.  Em resumidas palavras, acho que nunca tinha ouvido três pessoas tão cultas, tão intelectualmente generosas e tão inteligentes. Quando o mais lídimo génio se manifesta desta forma, tão sábia e tripartida como a própria ideia da santíssima trindade, um espectador só pode aplaudir, embasbacar, convulsionar-se de prazer, emocionar-se, enfim. Aplaudir neste génio de três cabeças a perfeita perspicácia das suas análises políticas, ponderadas por uma informação tão prudente, sempre, quanto rigorosa; embasbacar com o seu profundo e acerado conhecimento da alma humana; convulsionar-se de riso indefeso com a penetrante finura do seu humor, capaz de escachar a meio o mais sóbrio ermitão; emocionar-se, enfim, com a sua liberal distribuição de pequenos milagres de acuidade histórica, filosófica ou sociológica, e com a elevada categoria das suas referências estéticas ou literárias. Foram, confesso, aqueles dez minutos, uma espécie de tónico para a minha alma esburacada de senãos. Adormecer assim vale a pena, pensei, porque é adormecer na confiança de que o dúctil engenho de um Pacheco Pereira ou a nobre subtileza de um Rebelo de Sousa não se extinguirão sem deixar continuadores à altura, para que a chama de Portugal continua a brilhar bem alto no firmamento das nações civilizadas e não só.

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Frase do milénio

“Tout le trouble du monde vient de ce qu’on ne sait pas rester seul dans sa chambre”

Blaise Pascal

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Dezembro é mês de balanços e contrições, como Janeiro é de promessas ou Abril de “semear pepinos grandes e pequenos para conserva, alhos-porros, alfaces e alcaparras” (isto segundo O Seringador). No tempo em que eu frequentava livrarias portuguesas e ninguém estava morto, nada era mais fácil do que chegar a esta altura do ano e listar as mais entusiasmantes novidades editoriais do mesmo. Mas sendo a pobreza o preço da liberdade, e com as editoras portuguesas quase todas reduzidas à produção de luxuoso entulho, entrar numa livraria é como entrar numa morgue, passo que se dá de longe a longe, e mais por curiosidade mórbida do que por prazer. Assim, a um leitor tão empobrecido como enfastiado resta “apenas” o mercado de clássicos & pré-clássicos usados, que chegam aos magotes e por via postal, para delícia dos carteiros e proveito de quem lhes abre a porta. Não admira, pois, que dos meus “livros do ano” poucos sejam novidade editorial. Mas foram novidade para mim, que é o que importa, e aqui vai a lista:

A Doutrina do Choque – Naomi Klein

Palácio de Cristal – Peter Sloterdijk

In Front of Your Nose – George Orwell

Embaixada a Calígula – Agustina Bessa-Luís

Pickpocket – João Miguel Fernandes Jorge

Oráculos de Cabeceira – Rui Pires Cabral

Armas, Germes e Aço – Jared Diamond

Anagrams – Lorrie Moore

All Around Atlantis – Deborah Eisenberg

James Joyce – Richard Ellman

 

Quanto aos meus filmes do ano, e pela mesma ordem de razões, etc., etc., a lista de 2009 diz o seguinte:

Martha – R. W. Fassbinder

There will be Blood – P. T. Anderson

The Merchant of Four Seasons – R. W. Fassbinder

I Vitelloni – F. Fellini

Mother Kusters goes to Heaven – R. W. Fassbinder

Katzelmacher – R. W. Fassbinder

Conto dos Crisântemos tardios – K. Mizoguchi

In a Year of 13 Moons – R. W. Fassbinder

Ecce Bombo – N. Moreti

Adaptation – Spike Jonze

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XIII

.

Tenho para mim neste derrotado começo de século

neste farrapo de país em que a própria língua virá em

breve a ser idioma secreto

e a quem ninguém chamará pátria nem tão-pouco

nação, apesar da vigilância sobre a nossa existência

ser matéria autocrática e clerical

.

tenho para mim que nesta geografia

a casa rural é a expressão mais pura que sobrevive,

qualquer coisa ao alcance entre o castelo e a igreja, entre a cruz e o adro,

ornamento que sustenta o carácter da arte e da paisagem.

Expressão do movimento, de uma cor.

.

Ao fim do pátio, onde a alma da casa termina, está

uma taça de granito. Bebedouro de pássaros nos meses

quentes, cobre-se de medronhos

pelos cálidos dias outonais do verão de São Martinho.

Em oferta, do áspero amarelo ao quente laranja,

no contraste da pedra o meio dia intensifica de brilho

.

cambiantes vermelhos – rosa vivíssimo e sangue

esmagado – o calor abre em ouro o corpo do fruto,

insectos despertam de um íntimo, longínquo mundo de

treva, como se subissem da mais antiga morte, da mais profunda vida.

.

Mãe-do-Fogo, Relógio d’Água, 2009

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