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Archive for Maio, 2009

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Há o insuportável fedor a best-seller & novidade, cada vez mais pungente e dominante; há os preços, de meter medo a um accionista da Galp; há o imprestável sorriso dos “colaboradores”; e só por milagre ainda não há a arrepiante batida tecno-grunho das lojas para jovens. Mais enervante, porém, do que tudo isso, é o badalar da cabeça – esquerda-direita – a que as caprichosas lombadas dos livros portugueses nos obrigam, quando alinhados em estante, e que segundo a Organização Mundial de Saúde são responsáveis por 2664839503240053 torcicolos por ano no nosso país. Seria exigir muito aos nossos editores que chegassem a um consenso sobre a orientação dos títulos nas $%#&#>&$% das lombadas, para que uma pessoa não seja obrigada a fazer figura de títere desconjuntado ao percorrer as estantes? Ou o objectivo será precisamente afastar das livrarias os leitores para que restem apenas os consumidores de best-seller-de-mesa-expositora? Pela Nossa Sra. da Carochinha, pelos Nossos Fundos Comunitários, não haverá em Bruxelas quem acuda com uma encíclica, uma bula, uma directiva que incuta algum bom-senso nos nossos tipógrafos? Como é que se pode aspirar a um país organizado, se nem um princípio de ordenação tão básico e evidente conseguimos acordar?

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A semana abre da melhor maneira para os católicos. Deus, afinal, é um marotão e quer ver toda a gente sexualmente feliz. Ao contrário do que os seus franchisers na terra andam a apregoar há quase dois mil anos, Deus acha entediante a posição do missionário e o seu maior desejo é que um coro de gemidos e rangidos se eleve todas as noites dos católicos leitos para o céu, com “fantasia incluída” (por exemplo: ela vestida de freira e ele de ginástico satanás) e  “posições atraentes” , não recuando sequer perante a “estimulação oral e manual”. Contraceptivos é que não, nem truca-truca dentro do mesmo sexo. Alegria na cama, está bem, mas sem esquecer que o objectivo continua a ser fazer católicos: uma barrigada por cada pinocada, eis o ideal. 

Católicas celebram a nova posição de Deus

Católicas celebram a nova posição de Deus

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Ali Farka Touré

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Tesouro divino

A juventude passou.
Bem está o que acabou.
Não voltaria a ser jovem
nem que mo pagassem.

Pôr-me a andar de novo
pelo caminho trilhado
dos sonhos ilusórios
e das vagas verdades?

Começar outra vez
as velhas batalhas
e as suas velhas feridas?
Voltar às caminhadas

pela noite, pelo inferno,
ao gosto pela má
vida? Fazer de tudo,
que é comédia, um drama?

Voltar a alimentar-me
de mitos e falácias,
de modas e frenesim,
de palavras gastas?

Carregar aos ombros
a fastidiosa carga
de ser interessante,
original?… Que disparate!

Confiar, como ontem,
na vã esperança
de que tudo será
melhor amanhã?

Ter toda a vida
pela frente – tão longa -,
e o que já passou
não ser nem metade?

A juventude foi-se.
Fica bem o que acaba.
Não voltarei a ser jovem,
graças a Deus.

Traduzido por LP, deste blogue

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“O meu tio Daniel é como o seu, se tem algum – só que o meu tem uma fraqueza. Adora conviver e perde o sentido das coisas. Se ele nos ouvisse agora, descia já por aquelas escadas, estivesse ou não o jantar pronto. Mal avista alguém aqui sentado, no átrio do Beulah, o tio Daniel senta-se na outra ponta do sofá e mete conversa com a pessoa, e o mais provável é que daí a nada já lhe esteja a dar um abraço e a tentar oferecer-lhe alguma coisa. E pouco lhe adianta mostrar-se acanhado. Ele não aceita recusas. Pode é acontecer que ele se esqueça do que lhe ofereceu hoje e volte a oferecer-lho amanhã. É o homem mais amável do mundo. Está a ver aquele chapéu enorme no bengaleiro, o cinzento? É o dele. Repare bem no tamanho da cabeça. A quantidade de coisas que o meu tio Daniel ofereceu ao longo da vida, sem que lhas tivessem pedido… Assim de repente, sou capaz de me lembrar de uma fiada de presuntos, um belo fato de fazenda, um vitelo branco, duas viagens para Memphis, um casal de pombos, um bonito pónei Shetland (adora crianças), uma chocadeira e uma incubadora, uma cabrita, um bode, uma cisterna em madeira de cipreste, um campo de trevo branco, duas rodas de ferro e algumas galinhas poedeiras (estavam juntas), pastagens para o gado durante a seca (ele tem minas que nunca secam), um sem-fim de ovos frescos, uma carrinha de caixa aberta – até o seu lote no cemitério, só que a pessoa não aceitou. E já não estou a contar com esta semana. Não há ninguém mais popular na cidade.”

Eudora Welty, The Ponder Heart

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agora nem deixam o homem dormir. Tende vergonha, ó desempregados, que nem fazeis nem deixais fazer. Pois como é que o engenheiro há-de ter forcinha para resolver os problemas do país (fora as meias-maratonas) se vós lhe negais o direito a um santo repouso? Ide mas é trabalhar!

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A Angústia da Influência

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Intelectuais a caminho da praia

Intelectuais a caminho da praia

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