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Archive for Abril, 2009

Frases para a história: “Vocês têm que fazer as vossas próprias leis”.

Excerto de Torre Bela (1975),  de Thomas Harlan

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Poucos povos, se alguns, naufragaram tanto e tão bem como os portugueses dos séculos XVI-XVIII. Ulisses, ao pé de nós, não passava de um amador; e os nossos feitos, neste domínio, são tanto mais notáveis se repararmos que o grego naufragou bastante, mas mais por má vontade dos deuses do que por imperícia própria, ao passo que o naufrágio nacional é quase sempre produto do nosso esforço, do nosso empenho na cobiça e na incúria, mais do que da malícia divina.  Atente-se nas palavras de um capitão holandês, em 1601, depois de ter visto a que ponto vinha carregado da Índia o pequeno galeão “Santiago”

« Dizei, gente portuguesa, que nação haverá no mundo tão bárbara e cobiçosa, que cometa passar o Cabo da Boa Esperança na forma que todos os passais, metidos no profundo do mar com carga, pondo as vidas a tão provável risco de as perder, só por cobiça; e por isso não é maravilha que percais tantas naus e tantas vidas.»

Não é de hoje, portanto, a nossa habilidade na arte de perder. Há países que têm uma literatura de viagens, nós temos uma riquíssima literatura de naufrágios, parcialmente representada nos dois tomos da História TragicoMarítima, compilada por Bernardo Gomes de Brito.

Infelizmente, mas não sem coerência, diga-se, essa literatura, de grande valor documental e até literário, tem sido galhardamente desprezada pelos portugueses (é quase uma especialidade nossa, desprezar o pouco que de bom temos produzido) e continua em grande parte sepultada nos arquivos da Torre do Tombo. Pior do que isso, quem quiser actualmente comprar a colectânea de Gomes de Brito tem que se socorrer de uma edição brasileira.  E assim é pena, pois se soubessemos como e porquê naufragamos outrora, poderíamos talvez entender melhor como e porquê naufragamos hoje. Mais, quem sabe que lições não se poderiam extrair dessas antigas tormentas, nomeadamente em relação ao destino do galeão capitalista em que todos navegamos. 

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